quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A SANTIDADE DE DEUS- ISAÍAS 6




Se alguém chamar você de "santo", você irá considerar como um elogio? Eu acredito que vai depender de duas coisas. Primeiramente, vai depender se a palavra "santo" vem anexada à outra palavra, como "santinho". Neste caso, o termo teria uma conotação negativa. Em segundo lugar, vai depender da definição de santidade da pessoa. Na mente de muitos, "santo" significa sem pecados, perfeito, puro. Mas se você for chamado de santo no sentido bíblico do termo, será um grande elogio... 

De todos os atributos de Deus, a santidade é o que parece tomar o centro do palco.  Na língua hebraica repetir uma palavra é superenfatizar algo. Por exemplo, se você disser que uma pedra é grande, ela é grande. Se você disse que ela é uma pedra grande, uma pedra grande significará que ela é muito grande. Mas se você disser que ela é uma pedra grande, uma pedra grande, uma pedra grande, significará que ela é uma pedra gigantesca. Notou a diferença? 

Em Isaías 6 e em Apocalipse 4, Lemos que os anjos declaram que Deus é "Santo, Santo, Santo". Este é o único atributo de Deus que é enfatizado desta forma. Deus nunca é chamado de "Amor, Amor, Amor" ou "Misericórdia, Misericórdia, Misericórdia", nem mesmo o atributo que mais gostamos "Fiel, Fiel, Fiel". Ele é chamado de Santo, Santo, Santo. Portanto, se queremos conhecer a Deus, devemos entender a ideia da santidade se Deus. 

DEFINIÇÃO DE SANTIDADE 

R C Sproul nos dá uma definição de santidade: 

"O primeiro significado de santo é "separado". Ela vem de uma antiga palavra que significa "cortar" ou "separar". Talvez a mais acurada seja a frase "um corte acima de alguma coisa". Quando achamos uma vestimenta ou outro pedaço de pano de mercadoria que é proeminente, que tem uma excelência superior, nós usamos a expressão que é "Um corte acima do resto".  Quando a Bíblia chama Deus de santo, significa primeiramente que Deus é transcendentalmente separado. Ele é tão longe acima e além de nós que Ele parece quase estranho para nós. Ser santo é ser "outro". Ser diferente de uma forma especial. O mesmo significado básico é usado quando a palavra santo é aplicado para coisas terrenas." (R C Sproul, Deus é santo) 

Ou seja, por definição de santidade a primeira ideia é de GRANDEZA- Deus está além de nós. Há uma profunda diferença entre Ele e os seres que Ele criou. E a segunda ideia é da PUREZA- Deus é perfeito, sem pecados, bom. Portanto, Ele é ao mesmo tempo grande e perfeito.

A SANTIDADE DE DEUS- Isaías 6

A melhor maneira de entendermos a santidade de Deus é olhando para o texto de Isaías 6:1-8. Os fatos ali relatados acontecem em algum momento após a morte do rei Uzias.  A maior parte da história de Uzias pode ser encontrada em 2 Crônicas 26. Ele foi um rei bem sucedido durante a maior parte do seu reinado. Nós sabemos que Isaías viveu durante o reinado do rei Uzias, mas não sabemos que tipo de relação eles tinham. Podemos apenas especular sobre o estado de espírito de Isaías quando ele recebeu esta visão registrada no capítulo 6. Talvez Isaías estivesse preocupado com o destino de Israel, com o que ia acontecer. Talvez a visão não tenha nada a ver com Uzias em tudo. Mas de qualquer forma, Isaías teve uma visão. E aconteceram várias coisas nesta visão. A primeira coisa que notamos é a GRANDEZA DE DEUS. 

" No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as orlas do seu manto enchiam o templo. Ao seu redor havia serafins; cada um tinha seis asas; com duas cobria o rosto, e com duas cobria os pés e com duas voava.  E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; a terra toda está cheia da sua glória. E as bases dos limiares moveram-se à voz do que clamava, e a casa se enchia de fumaça." Isaías 6: 1-4

Observe os detalhes da visão de Isaías: Deus estava no reino. Uzias estava morto, mas Deus ainda estava no trono. O trono era alto e exaltado, maior e superior que todos os outros tronos. As orlas (apenas as orlas) do seu manto enchiam o templo. Quando uma noiva caminha para o altar, a "orla" do seu vestido tem um comprimento.. Isso significa realeza. As orlas do seu manto enchiam o templo. Sua realeza supera de longe qualquer coisa que tenhamos conhecido. 

Ao seu redor estavam os anjos.  O trabalho deles era dar glória ao Senhor.  Eles eram puros. Cada um tinha seis asas. Eles cobriam o rosto e os pés, e voavam. Os símbolos de condição de criatura são cobertos na presença do Deus magnífico. Mesmo as melhores "pessoas" são imperfeitas. A pureza de Deus fez os anjos que não tem pecado, procurar abrigo. 

Os anjos louvavam ao Senhor dizendo "Santo, Santo, Santo"- ele é supremamente santo. E as bases dos limiares do templo eram abaladas diante da grandiosidade do poder e santidade de Deus. Estas imagens são relatadas para apontar a majestade  de Deus, e provocar em nós reverência e santo temor.  Tudo isto já nos ensina algo:

A verdadeira adoração sempre começa quando vislumbramos a santidade, poder, e maravilha de Deus. 

A segunda coisa que notamos nesta visão é a BONDADE DE DEUS E A INDIGNIDADE DO HOMEM. 

A resposta de Isaías diante desta visão não é a que nós esperamos.. Gostaríamos de vê-lo dizer algo como: "Ual Deus, você é o cara." Ou Isaías sair correndo e rodando. . Não! Isaías é desfeito, humilhado pela grandiosidade da santidade de Deus e diz:

"  Então disse eu: Ai de mim! pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!" Isaías 6:5

Vemos experiências semelhantes no Novo Testamento: 

" À quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando sobre o mar. Os discípulos, porém, ao vê-lo andando sobre o mar, assustaram-se e disseram: É um fantasma. E gritaram de medo." Mateus 14:25-26

" Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi. Os discípulos, ouvindo isso, caíram com o rosto em terra, e ficaram grandemente atemorizados." Mateus 17:5-6

Quando o centurião ao pé da Cruz viu o terremoto, ele ficou apavorado. Quando os pastores viram os anjos que anunciaram o nascimento de Cristo, eles ficaram com muito medo.  Quando alguém recebe um vislumbre do Deus Todo-Poderoso, imeditamente fica apavorado. Por quê? Porque em Êxodo 33:20 Deus disse: "ninguém pode me ver e viver". Deus é tão santo que destrói tudo que é pecaminoso e profano. 

A primeira resposta de uma pessoa pecadora diante da santidade de Deus é uma aguda consciência do pecado pessoal. Quando o profano é confrontado pelo santo nos tornamos conscientes dos nossos próprios pecados. É como um quarto fechado há muito tempo. A luz está apagada..., porém quando é acesa, vemos toda sujeira. Mas quando nós entramos na presença de Deus, a escuridão se vai. 

Lembre-se de quando você era uma criança. Você pode ter pensado que era um grande atleta, ou um ótimo aluno, ou um grande músico, porque você sempre pareceu sobressair sobre os outros. Mas em algum momento da sua vida você descobriu que existiam pessoas iguais e até mais talentosas do que você.  Eu sei que a qualquer momento eu posso (e começo) a sentir-me espiritualmente arrogante, a me achar mais espiritual do que os outros, mais isso, mais aquilo; mas tudo o que tenho que fazer é ler a biografia de um dos grandes líderes do passado. Rapidamente eu sou humilhado.

Se você já teve uma experiência como essa, então você tem um pouco da ideia de como Isaías se sentiu. Nós temos a mania de medir a nossa vida com base nos outros, aí então medimos a nossa espiritualidade. E quando eu me comparo com aqueles que me rodeiam, sempre posso identificar aqueles que são piores do que eu.  No entanto, quando nos comparamos com o padrão de santidade....Nossa arrogância cai por terra!

É por isso que eu acredito que uma pessoa que não tem um senso de sua própria pecaminosidade, nunca teve um conhecimento da natureza de Deus . As pessoas que acreditam que se fizeram as coisas certas serão salvas, não tiveram consciência de quão profundamente manchadas pelo pecado elas realmente são. Temos de ser desfeitos antes de sermos refeitos. O Espírito Santo tem que nos convencer da nossa pecaminosidade, antes de nos mostrar a sua Graça.

Observe algo mais sobre a fala de Isaías. O que ele estava mais consciente de si mesmo? Ele viu que seus lábios eram impuros. Agora pense sobre isso. Isaias era um porta-voz de Deus. Dos seus lábios deveria sair santidade, mas o que ele viu foi pecaminosidade. Muitas vezes eu ouço as pessoas dizerem: "Olha, Deus nunca poderá me salvar. . . Já fiz muitas coisas ruins na minha vida. " E eu sempre lhes digo:  Você está mais perto da salvação do que muitos que estão na igreja. A razão é que eles estão cientes dos seus pecados. Estão a um passo do Reino de Deus; diferente de muitas pessoas nas igrejas que dependem da própria bondade.

A terceira coisa que notamos nesta visão é a PROVISÃO DE DEUS. Quando Isaias viu a santidade do Senhor e enxergou a si mesmo, então:

“Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; E com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e expiado o teu pecado.” Isaías 6:6-7

Nós ao lermos isso ficamos  propensos a dizer: "Oxi, um anjo levar um carvão quente e tocar na boca de Isaías. Por quê?” Ele cauteriza o pecado. Deus cauteriza os lábios de Isaías. Ele elimina as impurezas.  A culpa de Isaías é retirada, mas não é descartada. Deus não diz: "Ah, vamos esquecer isso!" Em vez disso, ele diz a Isaías que o seu pecado foi "expiado". Em outras palavras, foi pago.

Como? Foi pago em Jesus. “Como pode ser isso?”, você pergunta; Isaías viveu centenas de anos antes de Jesus. Mas a promessa tinha sido feita. Deus perdoou Isaías com base no que Cristo ia fazer centenas de anos mais tarde.  Quando Jesus (o Filho de Deus sem pecado) morreu na cruz, Ele pagou pelos nossos pecados. A justiça de Deus está satisfeita, e Ele estende a sua misericórdia a nós (com base na substituição de Cristo). A razão de sermos chamados filhos de Deus não é porque somos bons. . . mas porque somos perdoados. Somos perdoados não porque estávamos entre os melhores da raça humana, mas porque Cristo morreu pelos nossos pecados.

Depois de Isaías vê a majestade de Deus, é confrontado com seu pecado, encontra o perdão através do sacrifício de Cristo, lemos. . .

“Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.” Isaías 6:8-9

NÓS VEMOS A CONVOCAÇÃO DE DEUS. O Senhor está agora à procura de um mensageiro. Isaías, que foi transformado pela graça e vivificado pela misericórdia de Deus, foi o voluntário para o serviço. Sproul aponta que Isaías não diz: "Eis-me aqui...” Que seria identificar sua posição. Em vez disso, ele diz: "Eis-me aqui". Ele ofereceu a Si mesmo como um "sacrifício vivo" (Rom. 12: 1). Isaías está agora disposto a servir não por obrigação, mas por gratidão e com um desejo de exaltar a glória de Deus. Isaías quer que o mundo saiba a grandeza de Deus. Ele não está preocupado em promover o seu nome. Isaías está preocupado com uma coisa. . . glorificar aquele que é mais digno de honra.

CONCLUSÃO

Diante de tudo já exposto, chego a algumas conclusões.

Em primeiro lugar, deve ser óbvio, que não há melhor maneira de usar o nosso tempo usando-o para a glória de Deus. Não há nada melhor. Não há ninguém maior do que o Senhor. Ele é a nossa vida, a nossa esperança, a nossa alegria. Correr atrás e servir outra coisa senão o Senhor é loucura. Ele é o Deus Santo, cheio de graça. Isaias foi agraciado pelo Deus Santo, Santo, Santo.

Em segundo lugar, precisamos levar a sério a santidade pessoal. Passamos uma boa parte de nossas vidas brincando com o pecado.  Nós empurramos Deus para o lado quando Ele fica no caminho de nosso gozo ou do nosso "entretenimento". Olha, eu sei que buscar a santidade significa seriamente buscar  mudança em nossas vidas. No entanto, se compreendermos a misericórdia e a graça de Deus em tudo, se tivermos uma clareza da santidade de Deus (que está se tornando cada vez mais rara) vamos querer limpar tudo o que é profano de nossas vidas. Vamos querer que Ele nos limpe.  É hora de fazer um inventário pessoal para fazer algumas alterações,
§  Em seu entretenimento
§  No uso do seu tempo
§  Na maneira como você gasta o seu dinheiro
§  Na maneira como você fala
§  Na maneira de fazer o seu trabalho
§  Na maneira como você trata os outros
§  O jeito que você adora


Finalmente, precisamos parar de comparar-nos aos outros e começar a medir a nós mesmos com o padrão correto. Quando medimos nossas vidas pelo padrão certo, nos vemos verdadeiramente. Sim, muitas vezes dói. E encarar a verdade é doloroso. Temos de aceitar a responsabilidade por nosso próprio comportamento. Mas a coisa surpreendente sobre o evangelho é que ele nos diz que por causa do que Cristo fez, se confessarmos os nossos pecados e se nos voltarmos para Ele clamando por misericórdia. . . vamos encontrá-lo. Nosso Santo Deus vai cobrir-nos com a justiça Cristo. De fato, Deus é grande e ele é bom.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS

IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS

Eu acredito que as perguntas mais básicas a respeito da vida são: Quem sou eu? Por que estou aqui? As pessoas passam a vida tentando “encontrar-se”. Mas a resposta a estas perguntas é encontrada logo no inicio da Bíblia. Deus responde a estas questões cruciais. Na verdade, eu tenho certeza que você já leu estes versos que se encontra em Genesis capitulo um, versículos 26-30:

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi. Gênesis 1:26-30

Estas palavras nos dizem que:

             1-   Somos Únicos

 Eu amo cachorros. Mas saiba que, apesar dos cachorros às vezes agirem como humanos (e por vezes, são mais divertidos do que os seres humanos), eles não são humanos. Os animais não são pessoas. O testemunho bíblico é que Deus fez homens e mulheres com uma singularidade que não está presente nas outras coisas criadas. Somente os homens e mulheres foram criados à imagem de Deus.  Só os seres humanos têm esta honra especial e este privilegio. Somos únicos entre toda a criação.

À noite, você pode olhar para as estrelas e contemplar a grandeza de Deus em cada detalhe, perfeição. Ficamos maravilhados com a “imensidão” do universo, e nos sentimos insignificantes.  O universo em que vivemos está além da nossa compreensão. Mas o Deus que fez as estrelas e tudo o mais no universo, também nos fez. Em meio a esse universo esmagador, Deus nos fez de uma forma que nos diferencia de tudo o mais que Ele criou. Podemos nos sentir insignificantes, mas somos muito significativos de fato.
                

     “O real problema no mundo moderno consiste em que o homem não sabe quem ele é e o que ele é; ele não compreende sua própria grandeza. Por exemplo, a teoria da evolução é um consumado insulto ao homem visto pelo prisma do relato bíblico- o homem é grande, glorioso e maravilhoso na mente e na concepção de Deus” (Martyn Llyod-Jones, Deus Pai, pág. 220)

 

Os seres humanos não são um produto do acaso. Fomos especialmente criados por Deus. Deus sabe quem é você! Ele sabe o teu nome! Com o salmista, podemos declarar: “Eu sou feito de modo assombrosamente maravilhoso” (Salmos 139). Isto é o que nos diferencia. Deus nos criou e disse: “muito bom”. É por causa desta singularidade, por sermos imagem de Deus, Ele trata com severidade os atos de desobediência cometidos pelos homens. Por exemplo, em Genesis 9:6 diz: “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem”. A Bíblia nos diz que, se alguém matar outro ser humano (e isso inclui uma criança antes do nascimento, o aborto), estará agindo violentamente contra o próprio Deus. Estas pessoas são declaradas culpadas de um crime capital e merecem a pena de morte dada por Deus (que pode ser aplicada pelo estado). É por isto que somos contra o aborto, a eliminação dos filhos defeituosos e etc. Não temos o direito de tirar a vida das pessoas criadas à imagem de Deus. Esta é uma prerrogativa apenas do Criador, não das criaturas. Deus nos chama a apreciar e respeitar a vida.

 

Na verdade, o próprio Jesus também nos diz:

                                           

 “ Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.” Mateus 5:21-22


Você entende o que ele está dizendo? Porque fomos criados como pessoas únicas à sua imagem e semelhança, não devemos sequer falar palavras grosseiras com os outros. Fazer isto é ofender o Santo Deus que fez essa pessoa. Eu te desafio a fazer uma pequena experiência. .. Grite, “esculhambe” uma criança que está perto do seu pai, seja duro com ela.. Espere e veja o que acontecerá!  O pai da criança se sentirá totalmente ofendido. Por quê? Você não fez nada com o pai. Mas é claro que em certo sentido você fez. Você mexeu com o filho dela, e há um laço entre pais e filhos, totalmente especial. Aquela criança foi criada “à imagem” do seu pai em um sentido. Se você ataca a criança, ataca o pai. A criança pode até fazer uma série de coisas estúpidas... Mas o pai a ama da mesma forma.

Por favor, eu não estou sugerindo que temos que ter uma execução em massa por causa de todos os xingamentos proferidos pelos homens.  Não sobraria ninguém! Deus é gracioso e pronto para perdoar. Mas não podemos deixar que a graça de Deus sirva como uma licença para o descaso com os outros seres humanos. De maneira alguma!  A Lei de Deus é boa, é perfeita. Quando Ele ordena para nós “Não matarás” é porque ele valoriza a vida. Temos de ter cuidado. Cada vez mais nos programas de TV, a vida é retratada como descartável. Cuidado, a exposição constante a essas coisas enfraquece nosso respeito pela vida dos outros.
                  
                    2- Nós fomos criados para refletir a grandeza de Deus.


Não fomos criados à imagem de uma estrela de Hollywood. Não fomos criados à imagem de um jogador de futebol, de uma modelo. Fomos criados à imagem de Deus. Nós fomos criados para refletir a grandeza de Deus. Entretanto, isso não quer dizer como a igreja Mórmon afirma mediante estas palavras “criados à imagem e semelhança de Deus”, que Deus tem um corpo como nós temos. “Se Deus nos fez à sua imagem, e nós temos um corpo, Deus deve ser como nós” afirmam eles. Mas isso não passa de uma grande tolice.

Imagine um artista. Este artista cria um autorretrato.  Este autorretrato é algo que está na “semelhança” e “imagem” do artista. Parece com o artista, mas não é o artista. Ninguém pensa que a pintura e o artista são da mesma essência e ser. Portanto, sendo feitos à imagem de Deus, não somos Deus. Mas então, o que significa ser feito à “imagem e semelhança” de Deus? Significa que nós possuímos características que também são encontradas em Deus. Da mesma maneira que as crianças refletem algumas características dos seus pais. Há varias dimensões desta “imagem de Deus” em nós.

A)     Há uma dimensão espiritual- Fomos criados como pessoas com uma alma e/ou espirito. Há uma “invisibilidade” em nós. O que eu quero dizer é isto: quando você se olha no espelho, você só vê a superfície... o verdadeiro você é por dentro. Nós chamamos de nosso “verdadeiro eu” ou nossa personalidade. É a parte de nós que ninguém vê. Nesse sentido, somos como Deus, que é um Ser Espiritual.
B)      Há uma dimensão intelectual- Somente nós seres humanos, podemos raciocinar e pensar, analisar e meditar. O cachorro pode parecer que esteja pensando às vezes, mas não como nós. Temos a capacidade de avaliar as opções, fazer escolhas fundamentais. Essas características refletem a sabedoria inigualável de Deus.
C)      Há uma dimensão moral originalmente dada a nós-  Llyod-Jones diz: “ O homem foi feito intelectual e moralmente de tal forma que havia uma espécie de integridade nele, nada falso, nada imperfeito, nada errado. Havia retidão, havia justiça, havia verdade. Sua natureza era uma só; era equilibrada; era exatamente o que estava destinada a ser: integridade moral e intelectual, expressando-se em “verdadeira justiça e santidade” (Ef 4:24).
Todavia, o pecado destruiu essa dimensão moral e certamente manchou a dimensão intelectual, com todas as outras. Mas a imagem de Deus não foi apagada e nem destruída completamente. Se você olhar de perto, você verá vislumbres da imagem de Deus no homem. Você verá o Pai refletido em seu povo.

3- Nos foi dada a tarefa de cuidar da Criação de Deus


Deus deu a tarefa a Adão de cuidar do jardim, de guardar a terra. Ele deveria multiplicar e encher a terra; governar e ter domínio sobre ela. Mas isso não significa que ele podia fazer o que quisesse. Deus não lhe deu uma licença para imprudência.  A ideia de governo está ligada ao cuidado e organização. Ser um mordomo fiel. Se alguém lhe desse autoridade para sujeitar a terra e dominar sobre ela, isso significaria que você poderia fazer o que quisesse com ela? Será que você pode jogar lixo nas ruas? Não. Governar e subjugar a terra está ligado ao torná-la produtiva através do cuidado. Deus nos confiou à tarefa de cuidar da Sua criação, e temos que fazer isto com excelência e responsabilidade. Temos uma responsabilidade com o meio ambiente e com o mundo que Deus fez. Os problemas de poluição, desmatamento florestal e outras coisas, Deus não é o culpado. É nossa culpa, Ele nos deu a tarefa de cuidar desta terra.

Conclusão

Há varias lições que aprendemos aqui:

° Fomos criados especialmente por Deus para que pudéssemos revelar a maravilha da Sua glória. Devemos compreender e valorizar o privilegio e esta posição que nos foi dada. Olhe para o céu e maravilhe-se de que você é conhecido por Deus na vastidão deste universo. Você pode não se sentir importante, mas você é.

° Nós fomos feitos para refletir exclusivamente a natureza e o caráter de Deus. Como você esta refletindo o Pai? A próxima vez que você se olhar no espelho pergunte a si mesmo: os outros veem Jesus em mim?

° Fomos criados com o grande privilegio de ser um mordomo de Deus. A próxima vez que você ver um lixo na calçada, apanhe-o e jogue na lixeira. Não abuse o meio ambiente, preserve-o. Fazendo isto você não irá “salvar o mundo”, mas mostrará o seu amor e fidelidade ao nosso Criador e Senhor.

Só mais uma coisa. Esta passagem nos diz que fomos feitos para ter comunhão com Deus. E que por causa do pecado, temos agora um buraco do tamanho de Deus em nosso ser. Estamos completos só quando temos o Senhor. Agostinho certa feita disse: “Tu nos fizeste para Ti, e o nosso coração ficará inquieto enquanto não descansar em Ti”.  

  

domingo, 16 de novembro de 2014

Seu sofrimento: prova do amor de Deus.

Seu sofrimento: prova do amor de Deus.

Como assim? Você está me dizendo que o meu sofrimento é uma prova do amor de Deus ? Que absurdo!

Sim, permita-me explicar! Antes de mais nada, veja o que diz este verso da Bíblia. Marcos 4:40 diz:

"Por que estais tão amedrontados..?"

Caramba. Com toda reverência, esta pergunta de Jesus nos parece um tanto ilógica e fora do normal. Os discípulos e Jesus estavam no barco, então começa uma grande tempestade a ponto do barco chegar a inundar e todos morrerem caso não houvesse uma intervenção. Mas o que acontece? O filho de Deus, Jesus o Senhor, estava dormindo. Em outras palavras, estava aparentemente nem aí para a situação pois estava dormindo devido ao cansaço físico que sentira. Jesus estava no barco, a tempestade estava forte, e Jesus estava dormindo. Que cena! Quero que você pense comigo.

Se Jesus estava no barco, pela ótica humana, não deveria ter nenhuma tempestade ou qualquer outro problema. Mas tudo bem, as tempestades chegam em nossa vida, isto é inevitável. Mas o real problema não é a tempestade em si, mas a atitude de Jesus em relação a tempestade, e a incrível pergunta que ele faz aos seus amigos que estavam com medo. Jesus pergunta "por que vocês estão com medo?" Sim, estava na cara porque eles estavam com medo. Quem não sentiria medo diante de uma situação desta? Todos nós ficaríamos com medo. Mas a pergunta de Jesus, é muito sábia e revela o que realmente os discípulos queriam dizer quando afirmaram:

"Mestre, não te importas que pereçamos?" 

Na verdade, o que os discípulos estavam dizendo era "Senhor, cadê o seu amor? Não estás vendo o que estamos passando?" Eles colocaram em cheque o amor e cuidado do mestre Jesus. Nós somos assim. Quando as tempestades chegam em nossas vidas, duvidamos da bondade e do amor de Deus. Nós não queremos sofrer, e quando sofremos achamos injusto, e um desamor da parte de Deus.

Entenda. Quando Jesus perguntou porque eles estavam com medo, Ele estava dizendo " quem disse que vocês não passariam por tempestades e lutas?" Jesus não nos prometeu uma vida boa aqui e agora; enquanto estivermos nesta terra, sofreremos. Jesus prometeu a sua presença em meio ao nosso sofrimento. Sua presença de paz e alegria, o Deus conosco. Ele pode acalmar as tempestades, enxugar o nosso choro e fazer cessar aquilo que nos faz chorar; mas ele pode também nos provar, com um fim de nos aperfeiçoar para sermos parecidos com Jesus, e este é o alvo de Deus em usar o nosso sofrimento.

Lembre-se, tudo coopera para o nosso bem. Tudo. Quando Paulo diz em Romanos 8 que nada pode nos separar do amor de Deus, ele lista algumas coisas que poderiam ser possíveis, mas que não são, que poderia nos afastar do amor de Deus. A lista segue:

Tribulação
Angústia
Perseguição 
Fome
Perigo
Espada
Morte

E tantas outras coisas. Sabe o que é extraordinário? É que Paulo não colocou na lista:

Saúde 
Amor
Conta bancária gorda
Vida tranquila

Sabe por que? Porque quando estamos bem, não duvidamos do amor e da bondade de Deus. Somente no meio do sofrimento duvidamos se Deus realmente nos ama. Mas Deus está nos dizendo em Romanos 8:

"Veja o quanto eu estou amando você no seu sofrimento. Veja o quanto eu estou amando você no meio da tempestade"

Jesus pode resolver nossos problemas, mas entenda que Deus usa o seu sofrimento para um fim glorioso. As vezes Deus não muda a situação porque quer nos mudar na situação. Veja o quanto Deus está amando você no seu sofrimento. Descanse seu coração na soberania do Senhor, ele te ama e sabe o que está fazendo. Somente uma palavra dele, e o mar se acalma.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Não quero voltar ao primeiro amor

É muito conhecida a expressão “voltar ao primeiro amor”. Ela está em Apocalipse 2.4, quando Deus puxa a orelha dos cristãos da cidade de Éfeso por terem “abandonado o primeiro amor”. É interessante que, por causa dessa passagem, é popularmente difundida a ideia de que o “primeiro amor” é o estado ideal e a meta de todo cristão. Que sentir e fazer por toda a vida o que se sentia e se fazia no início da caminhada cristã é o que Jesus espera de todos nós. Particularmente, eu discordo disso. Por estranho que possa parecer, não penso que o primeiro amor seja o estado ideal para todos os cristãos. Para muitos sim, mas não para todos. Acredito mais que, em nossa espiritualidade, devemos procurar viver o “segundo amor”. Esquisito? Permita-me explicar.

Em geral, quando nos referimos a esse “primeiro amor”, o associamos a uma certa empolgação; a um sentimento de busca profunda de Deus; a uma vontade constante de evangelizar, de pensar e agir o tempo todo por Jesus. Sabe aquele sentimento de empolgação que você sente no início de um namoro? Seria mais ou menos a isso que associamos esse estado espiritual mencionado em Apocalipse. Só que, quando analisamos com calma o texto, vemos que não é bem isso o que ele diz.
primeiro amor2Veja: “Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são, e descobriu que eles eram impostores. Você tem perseverado e suportado sofrimentos por causa do meu nome, e não tem desfalecido. Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele” (Ap 2.2-5). Repare que Deus dá ordem para se lembrar “de onde caiu”. No contexto bíblico do processo de queda e restauração do homem, “cair” é um verbo usado como sinônimo de “viver de modo pecaminoso” (cf. 1Co 10.12-13). Se dizemos “fulano caiu”, automaticamente compreendemos que ele está vivendo em pecado e sem arrependimento. Isso é reforçado pelo que é dito a seguir aos cristãos de Éfeso: que, se os membros daquela igreja não se arrependessem, sofreriam consequências. E qual tipo de cristão precisa de arrependimento? Quem pecou.

Se a ideia popularmente difundida for correta, viver uma espiritualidade menos impulsiva, menos empolgada, menos assemelhada a uma paixão de início de namoro seria um pecado que necessita de arrependimento. Só que não é. Ninguém tem seu “candelabro” removido porque tornou-se menos empolgado. Isso ocorre se foram cometidos pecados. Portanto, conclui-se que o problema dos efésios é que estavam em um estado de transgressão e necessitavam de arrependimento, para retornar a realizar “as primeiras obras”, ou seja, as práticas de santidade que faziam parte de sua rotina antes dessa queda. Era uma igreja dedicada, sofredora e apologética – como o texto bíblico descreve com clareza -, mas que estava envolvida em algum pecado.

Entendo, então, que o problema da igreja de Éfeso não era estar vivendo uma vida espiritual menos eufórica – visto que essa interpretação é  incompatível com o que o Senhor fala nos versículos anteriores -, mas estava incorrendo em pecados de que necessitava se arrepender. Não consigo ver o “primeiro amor”, portanto, como um estado de euforia pós-conversão, como muitos apregoam, mas sim o estado de santidade que devemos viver ao longo de toda nossa vida.

primeiro amor3Tendo dito tudo isso, permita-me explicar, então, por que acredito que o “segundo amor” é mais desejável que o primeiro. E aqui o conceito que uso é o popular. Muitos creem, pela interpretação que entendo ser equivocada, de Ap 2.4, que aquela euforia do período imediatamente pós-conversão é o estado ideal de vida espiritual do crente. Não vejo assim. O início da caminhada cristã é uma fase de imaturidade e impetuosidade, ignorância bíblica e limitação teológica. Nessa fase, o cristão responde à graça de Deus, recebe o chamado do Espírito Santo, mas ainda engatinha na fé, bebe leite espiritual, o que é um estado imperfeito, como Hebreus 5.12-14; 1 Coríntios 3.1,2 e 1 Timóteo 3.6 deixam claro. Não é o padrão que Deus deseja para nós. Ele quer cristãos maduros, fortalecidos na Palavra, experientes. Somos convidados a buscar a maturidade espiritual e não a viver eternamente naquele estado inicial de impulsividade, grande emotividade e enormes limitações. Deus quer que fiquemos firmes na rocha, com solidez – não com empolgação.

Façamos uma analogia, por exemplo, com um casamento. Pessoas recém-casadas vivem numa enorme euforia, numa empolgação só, como se a vida a dois fosse uma eterna lua de mel: fazem caminhos de pétalas da porta à cama, preparam as comidas preferidas do cônjuge, deixam bilhetinhos em lugares estratégicos… vivem alegres o conto de fadas. Mas, passados os primeiros anos de casamento, se não foi desenvolvida uma maturidade naquele relacionamento ele vai se desgastar. Virão as necessidades práticas do dia a dia, as contas, a perda do pudor de soltar gases na frente do outro, a mulher descobrirá que o marido ronca, o marido descobrirá que a mulher tem mau hálito de manhã… a magia começa a ser substituída pelo mundo real. E, então, quem dependia do conto de fadas para ser feliz no matrimônio vai se decepcionar, esfriar, viver infeliz, se divorciar. Pois, se aquele “primeiro amor” é o estágio que traz felicidade, lamento informar aos sonhadores: ele não vai durar para sempre.

primeiro amor4Portanto, é o “segundo amor”, o que se solidifica passada a fase dos cuticutis iniciais de um casamento, que vai sustentá-lo. A maturidade. O amor sólido e perene. A capacidade de continuar dando a vida pelo outro pelo resto de seus dias. As gracinhas dos primeiros anos de matrimônio passam. O que permanece é o amor verdadeiro e maduro. Na vida espiritual é igual. O cristão que acha que deve buscar aquele cuticuti inicial com Deus como o modelo de vida espiritual vai viver uma espiritualidade limitada. Vai querer sempre buscar emoções. Ficará insatisfeito quando não sentir nada no culto. Vai se tornar viciado na empolgação que viveu nos primeiros tempos de convertido. Mas Deus procura verdadeiros adoradores e não adoradores empolgados.

Assim, biblicamente, “voltar ao primeiro amor” é o que precisa fazer o cristão que passou a viver na prática do pecado. Ele tem de abandonar suas transgressões, lembrar-se de onde caiu, arrepender-se e voltar a realizar as obras que praticava no início – as boas obras, fruto da fé salvífica. Já o cristão que vive em intimidade com o Senhor e que, apesar de seus pecados, não se conforma com eles e se esforça em viver em santidade, esse deve viver o “segundo amor”. Maduro. Sólido. Consistente. Consequente. Duradouro.

Ao contrário do que diz a música, eu não quero voltar a esse “primeiro amor” que a cultura popular estabeleceu. Quero viver no “segundo amor”. Nas vezes em que eu descarrilei no meio do caminho, não só quis, mas precisei voltar ao primeiro amor. Mas, enquanto estiver nos trilhos, não. Pois desejo que minha vida com Deus seja uma linha ascendente, cada vez com mais intimidade, conhecimento, crescimento e maturidade. Uma evolução. E nunca um retrocesso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

sábado, 16 de agosto de 2014

O segredo da felicidade

O mundo ficou chocado com o anúncio do suicídio do genial ator Robin Williams. Uma série de fatores contribuíram para que sua morte fosse especialmente chocante, mas creio que podemos resumir tudo a uma causa só: Williams tinha tudo o que o mundo diz que devemos almejar em nossa vida e, mesmo assim, esse tudo não foi suficiente para que ele desejasse seguir vivendo. Que contradição estranha! Veja se não é verdade: quando você pensa em felicidade, que conceitos vêm à sua mente? Em geral, nossa sociedade prega que, para sermos felizes, devemos ser ricos, famosos, bem-sucedidos profissionalmente e ter uma pessoa ao nosso lado a quem amemos e que nos ame. Robin Williams tinha tudo isso. Era milionário, conhecido internacionalmente, reconhecido na carreira, casado com uma esposa que o amava… ele cumpria todos os requisitos para ser considerado uma pessoa feliz. Mesmo assim se matou. Quem explica?

O comediante sempre era visto sorrindo e fazendo piadas, numa aparente alegria que se revelou ser apenas uma máscara. Mas, se você for além das aparências e examinar os bastidores da vida de Robin Williams, vai descobrir que ele sofria de depressão, lutava contra o alcoolismo e era dependente de drogas. Seu casamento já era o terceiro. Algo estava errado no coração daquele ser humano.

felicidade2O suicídio de Williams me fez pensar também no de outras pessoas que, aparentemente, tinham tudo o que o mundo considera fundamental para a felicidade, como bens materiais e notoriedade. Lembra, por exemplo, de Kurt Cobain? O astro da banda de rock Nirvana tirou a própria vida com um tiro na cabeça e deixou um bilhete explicando que se matava por algumas razões, entre as quais ser uma pessoa triste e não se divertir mais quando estava no palco. Ele tinha mulher, filha, fama, fortuna e era uma rock star (o sonho de milhões de pessoas por todo o planeta). Ainda assim, aquilo não foi suficiente.

Dá para explicar o suicídio de pessoas como Robin Williams e Kurt Cobain, que têm tudo o que o mundo diz ser sinônimo de felicidade e ainda assim não basta? Sim, dá. É que, na verdade, o mundo está errado. Sua proposta de felicidade é mentirosa, uma ficção. Essas coisas simplesmente não fazem ninguém ser verdadeiramente feliz. São valores que valem muito pouco ou quase nada. Se você acredita na proposta mundana de que, para ser realizado na vida, precisa ganhar muito dinheiro, aparecer na capa de revistas famosas, viver distribuindo autógrafos, ter três carros na garagem e coisas do gênero… está acreditando numa mentira. “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mt 6.19-21)
É por isso que me preocupo muito quando vejo cristãos correndo atrás de tudo isso. Sim, cristãos. Afinal, os valores do mundo contaminam todos. Preocupo-me porque, como provam as histórias de Williams e Cobain, se acreditarmos nessa definição de felicidade – que não é bíblica – viveremos sempre infelizes. Quando vejo irmãos e irmãs em Cristo ter como alvo a fama, por exemplo, meu coração se enche de tristeza, por perceber que sucumbiram ao engano. “Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo. O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1Jo 2.15-17).



felicidade3A notoriedade deve ser consequência de algo bem feito, jamais a causa que nos motiva a fazer esse algo. Se você é, por exemplo, um pregador, artista ou escritor e se torna muito conhecido, deve tomar todos os cuidados possíveis para não se deixar levar pela maldita vaidade, que conduz à autoidolatria e, portanto, é uma desgraça. “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.” (Fp 2.3-7). Entenda: ser famoso não é o problema, não é crime nem pecado. Se você é alguém conhecido, entende que essa realidade não tem valor real e usa a visibilidade que Deus te deu para a glória desse mesmo Deus, amém. Jesus foi famoso em seus dias, o que ajudou a propagar sua mensagem. Mas se você deixa essa fama contaminar seu coração com sentimentos equivocados… ai de você.

Para não falar dos outros, deixe-me pôr na berlinda. Eu escrevo livros e tenho um blog. Isso não faz de mim alguém famoso, mas acaba gerando uma certa visibilidade. De vez em quando, viajo a outros estados do país e encontro pessoas que já me conheciam devido ao que escrevo. Tomo muitos cuidados para não deixar isso afetar meu coração, pois, no dia em que a minha escrita tiver como motivação a projeção pessoal e não o desejo sincero de abençoar vidas, eu terei fracassado monumentalmente. Estarei a um passo da infelicidade. Jamais posso permitir que a vaidade domine meu coração, caso contrário todo o propósito de meus livros e deste blog estará pervertido e me tornarei alguém digno de pena. Deus, nunca permita que isso ocorra, por favor. Que toda a atenção voltada para mim sirva sempre para projetar Cristo, jamais o mensageiro pecador, imperfeito e falho que sou eu. Não é falsa modéstia: é a pura constatação da realidade.

Mature businessman holding scrunched moneyQue dizer, então, do dinheiro? Muitos abrem mão do que de fato tem valor por amar mais o dinheiro, que, como você bem sabe, gera problemas seriíssimos. “De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos. Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos” (1Tm 6.6-10). Conheço cristãos bons e sinceros que acabaram cometendo atrocidades por causa de dinheiro, que praticaram atos de desamor por amar as riquezas. Quando vidas caem em segundo plano e são desamparadas, enganadas ou vilipendiadas por aquilo que o dinheiro pode proporcionar é sinal que Jesus não está mais no barco, apenas observa da praia, com muito pesar. “Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm, porque Deus mesmo disse: ‘Nunca o deixarei, nunca o abandonarei’” (Hb 13.5).

Convido você a analisar o seu coração, por uma razão fundamental: “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida” (Pv 4.23). O que tem motivado suas ações? Será o dinheiro? Será a vontade de aparecer? Por que você prega? Pelas ofertas e pela notoriedade que estar no púlpito pode te dar? Por que você louva? Pela venda dos CDs e para receber elogios? Por que você faz o que faz? Se a resposta não for “para a glória de Deus”, recomendo que reavalie urgentemente as prioridades e os valores da sua vida. “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31). Caso a proposta de felicidade do mundo tenha conquistado o seu coração, mude tudo, rápido. Caso contrário, você pode acabar rico, famoso, vazio e infeliz.

?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????? Meu irmão, minha irmã, sei que você já ouviu isso muitas outras vezes, mas nunca é demais repetir: só Cristo satisfaz. Só nele encontramos a verdadeira felicidade. É no relacionamento com o Senhor que recebemos paz, alento, tranquilidade e contentamento real. É nas demonstrações de piedade, nas ações de amor ao próximo, que experimentamos alegria inigualável. Regozije-se não por ter um salário alto e muito dinheiro no banco ou por ser reconhecido por onde passa e muitos te convidam para eventos, mas porque você fez o deprimido sorrir, o faminto se alimentar, o atribulado encontrar a paz, o perdido enxergar a luz. Que a sua vida seja devotada não a tornar-se uma pessoa como Robin Williams e Kurt Cobain, mas a levar o amor e a graça de Deus a pessoas como Robin Williams e Kurt Cobain – só então você será verdadeiramente feliz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício


Blog: Apenas1

http://apenas1.wordpress.com/2014/08/14/o-segredo-da-felicidade/

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Pecados da Mente

"Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida." Provérbios: 4. 23. 

Estive pensando.... Como nós temos uma visão baixa do que é o pecado. Na verdade, por muitas vezes não sabemos nem o que é pecado. Não temos ideia da sua monstruosidade, e de como é abominável aos olhos do Deus que é Santo Santo Santo. Esta nossa ignorância, se dá pelo fato de não praticarmos uma auto-análise, como faziam os Puritanos. Parar e olhar para dentro de nós, e prescrutar todas as nossas sujeiras, até onde pudermos. Sim, esta analise é boa, desde que leve em conta a graça de Cristo, para que não ocorra desespero. Nós somos piores do que imaginamos que somos. E somente quando entendemos quem Deus é, vemos quem nós somos. Então, o conceito de pecado para nós, está limitado apenas no ATO. Ou seja, pecado é mentir, roubar, matar, adulterar... Mas pensar... Aí não é pecado. Argumenta-se "Eu só pensei, não cometi o que desejei.. Não é tão grave".. Este pecadinho da mente, é abominação aos olhos do Senhor. E é sobre estes pecados da mente, que nós cometemos, que quero falar um pouco. 

Infelizmente, a maioria dos cristãos, tem a ideia que pensar em coisas absurdas não é pecado, desde que eu não cometa o que se pensa. Isto é um engano; Jesus já nos advertiu sobre isto, toda a Palavra de Deus em um só tom fala sobre isto. Uma pessoa que rouba, antes de cometer o ato em si, ela pensou, planejou, arquitetou o seu plano na mente. Todo pecado cometido (ato) é resultado apenas do que a mente já gerou. Tudo começa nos pensamentos. Jesus disse:

" Mas o que sai da boca procede do coração; e é isso o que contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos, isso não o contamina." Mateus: 15:18-20

Jesus nestes versos, nos diz que o que corrompe uma pessoa não sao os atos exteriores (com referencia apenas a este contexto especifico), mas o que sai do coraçao. Os atos pecaminosos externos, partem de um coraçao pecaminoso, manchado pelo pecado. Vem do CORAÇÃO-isto é, do centro da pessoa, vontade, mente, imaginação e etc. E é reflitido em atos externos. Por isto, podemos pecar com a MENTE.

Normalmente, pensamos que o pecado na mente é normal.. "Não cometi, é o que importa" dizemos. Mas, Jesus mostrou que as observâncias exteriores, de nada valem, se o nosso coraçao estiver sujo. Guardando um pecado de estimaçao. Jesus censurou os fariseus por este pecado- hipocrisia. É uma falsa piedade, o Senhor abomina isto. E muitas vezes, somos como os fariseus, hipócritas. Queremos mostrar uma justiça externa e bonita; mas por dentro estamos imundos, sujos. 

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque limpais o exterior do copo e do prato, mas por dentro estão cheios de rapina e de intemperança. Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo, para que também o exterior se torne limpo. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade. " Mateus: 23:25-28

Jesus foi muito claro no Sermão do Monte, onde refutou o ensino que o adulterio, o assassinato, era condenado por Deus apenas quando se concretizava- ato. Mostrou que não é a letra, mas o espirito da letra que dá vida. Nao adianta nao cometer o ato, se voce pensa. Pensar, são os pecados do coração. Equivalente ao ato. Só em pensar, imaginar, desejar- pecou. Foi isto que Jesus nos ensinou. 

"Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela." Mateus: 5:27-28

Como nós caimos facil. Como desejamos coisas pecaminosas. Nossa mente se não estiver sendo alimentada, cria fantasias terriveis. E a prova que estes pensamentos são pecaminosos, é que não teríamos coragem de contar eles nos cultos, nem para os nossos irmãos. Afinal, o que pensariam de nós? Pecar na mente, é profanar o santuario de Deus. Temos que renovar a nossa mente todo dia (Romanos12:2), ela é o centro de adoração a Deus. 

Você que está lendo este artigo, certamente se és crente em Jesus, você luta contra o pecado todo dia. É uma luta que não para. Você até consegue vencer os pecados cometidos (atos), mas não tem controle sob os pecados da mente. Como são dificeis de deixar. Os pensamentos perversos quer nos aprisionar. De repente ele chega. Você até confessa-os, mas não consegue deixá-los. Porfavor, continue lendo este texto, desejo dizer-te algumas coisas a você. 

Deus conhece os nosso corações perfeitamente " E Deus, que conhece os corações..." (Atos 15:8); o salmista Davi declara " Tu conheces o meu sentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. Esquadrinhas o meu andar, e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos. Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces." (Salmos 139:2-4)

Com base na inerrante Palavra de Deus, quero dizer que é muito tolo pecar na mente. Sim! Podemos esconder nossos pensamentos do pastor, dos nossos amigos e irmãos.. Mas de Deus não. Ele conhece tudo. E Ele diz que um dia revelará tudo que é feito em oculto. Como é tolo da nossa parte, esconder o que de Deus não pode ser escondido. A unica forma correta é confessar. Pense, quem é mais importante? Deus ou sua reputação? Voce pode ir a igreja, cantar no louvor, e manter esta aparencia de santidade, e ter pensamentos nojentos- sim, nós somos assim. Mas de Deus que sonda os coraçoes e que tudo conhece, você não escapa. Medite na grandeza do Criador. Pecados ocultos da mente, são graves, e Deus quer tratar voce. Nós somos o que pensamos. Mas, se você de novo, estas roupas velhas não fazem mais parte da sua vida. Temos que ter a atitude de Jó:

" Fiz pacto com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem? " Jó 31:1

Jó estava consciente que poderia cair com a mente; então colocou guardas nos seus olhos. Oh! Que esta seja a nossa atitude. Não temos forças em nós mesmos, mas o poder de Deus é maior que tudo. Há mais graça em Cristo que pecado em nós.

Pecamos com a mente quando : lembramos, imaginamos e planejamos. 

Pecamos quando LEMBRAMOS.

AH, nossas lembranças do passado pode nos trazer sérios danos. Pecados que cometemos ontem, mentiras de ontem, lembradas hoje com prazer. é pecar novamente. Isto ficou para trás, Deus apagou os nossos pecados e deles nao lembra mais. Que venhamos esquece-los. Pois expondo nossa mente a isto, podemos cair em tentação.

Pecamos PLANEJANDO

Isto faz parte da nossa batureza pecaminosa. Planejamos fazer o mal. Planejamos mentir, roubar, envergonhar o outro. Como isto é odioso a Deus, e deveria ser a nós tambem. Isto não faz parte do cristão que nasceu de novo. Lute contra isto pelo poder do Espirito. 

Pecamos IMAGINANDO

Não dê muita asas a imaginação.. Ela pode te deixar na mão. A nossa mente imagina coisas terriveis. Fantasias eróticas, como fazer o mal e etc. Isto abre porta para as obras do diabo. Temos que manter nossa consciencia pura. Fugir disto.

Mas como eu venço estes pensamentos pecaminosos?

Isto é obra da graça de Deus operada em seu coração. Que no entanto, requer de voce, esforço, renúncia. É o poder de Deus te fortalecendo para vencer. 

1- Confesse e deixe este pecado (Is 55:7; 1 Jo 1:9)

2- Rejeite estes pensamentos (Fp 4:8)

3- Se alimente da Palavra de Deus ( Slm 119:11; Ef 6:17, Rom 12:2)

4- Evite tudo que possa te levar a estes pensamentos maus ( Jó 31:1)

Oro ao Senhor para que Ele trabalhe em nós, e te dê forças. Que nosso clamor seja o mesmo do Salmista Davi:

" Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável. " Salmos 51:10

Deus abençoe


Hamiltom Freire